segunda-feira, 13 de março de 2017

O “POLITICAMENTE CORRETO” NAS UNIVERSIDADES



Analisemos, para fins de planejamento, o campo de batalha que vamos enfrentar.

A grande arma deles é o “politicamente correto”, que chamarei doravante de “Besteirol”.  A munição utilizada é o conjunto de novas palavras e siglas inventadas sem maiores cuidados, mas fortalecidas pelo entusiasmo de seus usuários – a “Novilingua”. Na realidade, seu poder de fogo se encontra mais na falta de contestação das mesmas por parte daqueles que são atacados, do que pelo conteúdo que possam possuir.

 O método de luta deles é similar ao das antigas tribos bárbaras germânicas: atacam em turbas, desorganizados e atabalhoadamente, aos gritos desusados, com caras e corpos pintados, intentando aterrorizar o inimigo. Mais do que combater, o objetivo principal deles é pôr o inimigo a correr de temor e susto. Aprenderam, em algum tempo, que o combate geralmente lhes é desfavorável. O Estado Maior deles conhece da fragilidade de seu armamento e de seu material humano.  Um informe importante: são guerreiros raivosos e irracionais quando comandados por um chefe, mas alvos fáceis de destruir quando sozinhos ou em tropas sem comando. 

Na prática, usam ocupar todo e qualquer lugar de onde possam apoderar-se de um espaço maior para melhorar o alcance de suas armas de pura retórica. Servem-se de soldados que nada inquirem e pouco conhecem. Gente fanatizada, fundamentalista, perigosa pelo fato de conhecer um livro só e jurar sobre ele, como disse um filósofo dos tempos em que a Filosofia se contentava em simplesmente prover a “orientação da vida”.  Soldados cegos que, por não conseguirem vislumbrar as diversificadas cores que compõem o mundo o imaginam escuro e tenebroso como aquele em que vegetam.

Os sofismas que utilizam para fundamentar o “Besteirol” são, não poucas vezes, pobres intelectualmente e somente se sustentam pela igualmente baixa qualidade cultural de seus oponentes, o que, infelizmente, é verdade. São generalizações apressadas, que caracterizam os sofismas ditos “do acidente convertido”, no qual são feitas generalizações baseadas em observações incompletas de alguns poucos casos particulares. Prato cheio para o uso de uma de nossas poderosas armas – a “maiêutica socrática” -, que busca aferir a solidez de um conceito através de consecutivas e encadeadas perguntas relacionadas. Raramente o orador do “Besteirol” responde a terceira pergunta concatenada, uma dentro da outra, como aquelas bonequinhas russas, as “matrioskas”. Vendo-se acuado e encurralado culturalmente, foge da raia e afasta-se da discussão chamando ao indagador de arrogante intelectual e elitista. Bingo!

Mas como garantir a posse dessa nossa arma? Simples, adquirindo cultura. E cultura geral, universal. Não erudição, mas uma alicerçada cultura humanista. Nunca se perguntaram a razão das reformas de ensino e educação no Brasil? Todos dizem que tiraram a disciplina de Moral e Cívica. É verdade, mas fizeram mais, muito mais: extinguiram os Cursos Básicos – em nível introdutório - nas Universidades, no semestre inicial de cada Curso, que todos eram obrigados a cursar antes de seguirem para os estudos específicos de cada um. 

No mor das vezes, com pequenas variantes de terminologia, esses Cursos eram destinados a dar um embasamento humanístico ao estudante de terceiro grau: Filosofia, Sociologia, Antropologia Cultural, Estudos de Problemas Brasileiros, Lógica Formal e, obviamente, Português. Garantia assim que, além do bom domínio do vernáculo e de técnicas de averiguação do raciocínio, todo e qualquer profissional de qualquer área do conhecimento tivesse um conhecimento, mesmo que superficial, de elementos e fatores com os quais todos convivem no dia-a-dia. Assim formavam-se cidadãos pensantes. É claro, é óbvio que não podia! Como criar-se-iam os robôs, os autômatos humanos, nos quais seria aplicada a lavagem cerebral ideológica da sinistra? Onde arrumar-se-ia o enorme montante de jovens idiotizados, de adultos medíocres a obedecer às palavras de ordem gritadas pelos seus superiores, os feitores do ‘lado escuro da Força’? 

Não foi por nada que transformaram as Universidades em fábricas de imbecilizados. Não foi por nada que estupraram o Projeto Rondon, que intercambiava temporariamente milhares de estudantes universitários, enviando-os para diferentes regiões do Brasil, a permitir que os futuros responsáveis pelo país tivessem a real visão de seu tamanho, de seu povo, de suas capacidades e recursos, e de seus problemas. Mas isso, é claro que não podia, pois criaria cidadãos conscientes, e estes são mais difíceis de enganar e lograr. 

E onde, nas Universidades, instalaram-se eles para contaminar a juventude, para conspurcar a mente dos estudantes ingênuos? Justamente nos centros de maior poder de disseminação cultural, de maior espectro de abrangência – os Cursos de Ciências Humanas. Tais ciências, que estudam o homem como ser pensante, prenhe de capacidades evolutivas e de qualidades transformadoras, apresentam aspectos fascinantes e terríficos ao mesmo tempo.

São frutos essencialmente da cultura histórica, do passado humano, da gradativa evolução da espécie. A excelência nelas independe de aspectos técnicos ou matemáticos, mas sim de conhecimento acumulado. Não há outra maneira de dominá-las, nem há chance de que surja um luminar de inopino devido à genialidade infantil. Isto pode acontecer nas matemáticas e seus derivados, ou associados - como a Física e a Música -, das quais o mundo deixa surgir um gênio de tempos em tempos. Brotam, ainda na infância, matemáticos impressivos, desenhistas fora de série, físicos brilhantes, pianistas geniais. Gênios por vezes na primeira infância, ou pré-adolescentes. Quem, no entanto, conhece uma criança-gênio em História, em Filosofia, em Antropologia? Ninguém, pois não existe! Estas três Ciências nominadas são reflexivas, analíticas, comparativas e dependem primordialmente de conhecimento acumulado. Seus bons representantes leem exaustivamente, pensam, analisam, coletam dados infinitamente e criam conhecimento. Seus melhores transformam o conhecimento em sabedoria. Este é um lado glorioso.

O lado trágico é o fato de ser comum que os mais despreparados no que tais ciências interpretativas têm de melhor tornam-se professores, isto é, multiplicadores dos erros e defeitos que lhes foram inculcados na mente por ativistas ideológicos. Uma dezena de anos é o suficiente para que a sinistra se aposse e comande o mundo acadêmico, numa progressão exponencial. Basta o domínio da conveniência e necessidade de novos professores, a escolha da banca de avaliação e, o mais importante, ter uma das provas do concurso, que dependa da avaliação de outros professores, como prova oral de Didática, onde efetivamente há espaço para a “filtragem” daqueles que serão os futuros colegas. Moleza! Foi assim que a sinistra dominou as Universidades públicas brasileiras. De concurso em concurso, com muita fraude e arrumadinho entre ‘companheiros’, mas com o cuidado de manter um certo ar de legalidade e correção.

Para acelerar o processo de doutrinação política dos jovens universitários em sala de aula, e evitar os riscos de ideias diferentes e contraditórias, recompensavam aos professores infensos a tais métodos de abuso intelectual nomeando-os para cargos burocráticos, tirando-os, consequentemente, dos encargos de ensino dos alunos; ou emprestando-os para outros departamentos; ou buscando não os convidar ou eleger para quaisquer comissões de pesquisa e extensão. Isto representa a parte mais geral - o ‘bulk’ - dos métodos adotados para a tomada e controle dessas instituições de ensino universitário pelos vermelhos. São os mesmos métodos utilizados na “limpeza e reorganização” das universidades alemãs dos anos 30, no processo de nazificação conhecido como “Gleichshaltung”. Na prática queria dizer a imposição da ideologia nazista na sociedade alemã com a eliminação de toda e qualquer diversidade e divergência. Claro que, no caso do Brasil, de maneira mais grosseira e sem o mesmo poder de implantação do ideário sinistro de seu exemplo histórico.

É justamente por onde se deve começar a atuar para estancar a multiplicação de “professores” comunistas de Humanas e reverter em alguns anos o estrago mental que a sinistra vem causando em nossas crianças e jovens.

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